A maioria dos brasileiros sabe que uma alimentação equilibrada deve priorizar produtos in natura, frutas, legumes e verduras. Ainda assim, tempo escasso, cansaço e preços elevados dificultam que esse conhecimento se traduza em hábitos concretos, revela o estudo “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável”.
O levantamento foi desenvolvido pelo Pacto Contra a Fome e executado pelo Instituto Pensi, com apoio da coalizão internacional FOLU e cofinanciamento da Fundação José Luiz Setúbal.
Quais foram os principais achados
Segundo Maria Siqueira, cofundadora do Pacto Contra a Fome, “a intenção de comer bem e o comportamento não estão necessariamente andando juntos”. Relatos colhidos em grupos focais mostram que, apesar de planejarem compras e prepararem refeições, os participantes recorrem com frequência a ultraprocessados e fast food pela praticidade e pelo menor custo.
A percepção de “correria” aparece em todos os perfis. “Há uma carga mental invisível no planejamento: decidir o cardápio, atender às preferências da família e conciliar isso a uma rotina sobrecarregada”, diz Claudia Koning, pesquisadora do Instituto Pensi.
Metodologia
O trabalho ocorreu em duas etapas. Primeiro, foram analisados 210 artigos científicos sobre escolhas alimentares. Em seguida, 142 pessoas foram entrevistadas entre setembro e novembro de 2025 em São Paulo, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre e Belém. A amostra foi predominantemente feminina (70%) e dividida igualmente entre jovens de 18 a 25 anos e adultos de 30 a 40 anos. Todas as coletas foram realizadas de forma remota.
Custo pesa no prato
A ideia de que “comer saudável é caro” surgiu em quase todos os grupos. Entre consumidores das classes AB, reduções recaem sobre itens considerados supérfluos, como doces, pescados e azeites premium. Já nas classes C e DE, o corte afeta carnes, frutas e verduras, comprometendo variedade e qualidade nutricional.
Imagem: Internet
O cenário coincide com dados da Pnad Contínua: em 2024, 54,7 milhões de brasileiros (25,7% da população) viviam com algum grau de insegurança alimentar.
Diferenças de gênero
O estudo indica que mulheres assumem a maior parte do planejamento, compra e preparo das refeições, mesmo quando trabalham fora, e relatam mais culpa ao avaliar a própria alimentação e a da família.
Caminhos sugeridos
As autoras defendem políticas públicas que reduzam o preço de alimentos in natura, regulem a publicidade e ampliem a educação alimentar — inclusive com aulas de culinária nas escolas, prática adotada em países como a Alemanha.
Com informações de Folha de S.Paulo





