A obesidade é reconhecida pela comunidade científica como uma doença crônica, progressiva, inflamatória e de múltiplas causas. Por essa razão, o tratamento medicamentoso não deve ser encarado como medida temporária, afirmam especialistas.
Medicamentos que ganharam popularidade
Entre os fármacos mais utilizados para a perda de peso estão a semaglutida e a tirzepatida. A semaglutida integra três apresentações: Ozempic (injeção semanal), Wegovy (injeção semanal voltada ao tratamento da obesidade) e Rybelsus (comprimido diário). Já a tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, aprovado pela Anvisa para diabetes tipo 2 e com uso ampliado para controle de peso.
Como os medicamentos atuam
Esses compostos imitam hormônios intestinais, reduzindo a fome, prolongando a saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. Quando o paciente interrompe o uso, tais efeitos deixam de ocorrer, elevando o risco de recuperar os quilos perdidos.
Resposta do organismo após a perda de peso
Após emagrecer, o corpo entra em “modo de economia”: o metabolismo basal cai, o gasto energético diminui e a produção de grelina – hormônio que aumenta o apetite – sobe. Além disso, as células de gordura apenas encolhem, permanecendo aptas a armazenar lipídios novamente.
Casos em que o uso prolongado é mais indicado
A necessidade de continuidade costuma ser maior em pacientes que:
- apresentaram obesidade na infância ou adolescência;
- têm diagnóstico associado de diabetes;
- estão na menopausa, fase em que a queda de estrogênio favorece o acúmulo de gordura visceral;
- possuem síndrome metabólica, quadro que inclui aumento da circunferência abdominal, hipertensão, alterações no colesterol e resistência à insulina.
Nesses cenários, os agonistas de GLP-1 não só reduzem o peso, como também melhoram o controle glicêmico e diminuem fatores de risco cardiovascular, reforçando o caráter de tratamento de longo prazo.
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Acompanhamento e ajustes de dose
Segundo endocrinologistas, a suspensão abrupta das canetas não é recomendada. A dose pode ser ajustada ou reduzida gradualmente, sempre com supervisão médica. Em pacientes que adotam mudanças consistentes de estilo de vida – alimentação equilibrada e prática regular de exercícios – a interrupção é possível, mas requer monitoramento.
Equipe multidisciplinar e acesso
O manejo da obesidade inclui acompanhamento regular com endocrinologista, nutricionista, psicóloga e profissional de atividade física. O alto custo dos medicamentos ainda limita o alcance do tratamento; entretanto, a expiração da patente da semaglutida no Brasil pode abrir caminho para versões genéricas e preços mais baixos.
Com informações de Folha de S.Paulo





