A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga se houve transmissão de hantavírus entre passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa. A embarcação deixou Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril com 174 pessoas a bordo e já registrou três mortes desde o início da viagem.
Casos em análise
Até o momento, foram identificados sete casos suspeitos de hantavirose: dois confirmados por exames laboratoriais e cinco em investigação clínica. Entre os óbitos, uma passageira holandesa teve diagnóstico confirmado; as outras duas mortes ainda passam por análise.
Os primeiros alertas chegaram à OMS em 2 de maio, quando foram notificados quadros de síndrome respiratória aguda grave a bordo. No mesmo dia, testes realizados na África do Sul confirmaram a infecção por hantavírus em um paciente internado em unidade de terapia intensiva.
Rotas e destino do navio
O cruzeiro percorreu regiões remotas do Atlântico Sul, incluindo Antártica, Geórgia do Sul, Tristan da Cunha, Santa Helena e Ilha de Ascensão. Desde o início da semana, o navio está fundeado próximo a Cabo Verde, que informou não possuir estrutura para conduzir a operação sanitária necessária.
O Ministério da Saúde da Espanha anunciou que o Hondius será recebido nas Ilhas Canárias no próximo fim de semana “em conformidade com o direito internacional e princípios humanitários”. Passageiros com sintomas já foram desembarcados, e as autoridades espanholas afirmam que os demais não apresentam sinais de doença.
A decisão gerou reação do governo regional canário. O presidente Fernando Clavijo declarou que o repatriamento poderia ser feito a partir do aeroporto internacional de Cabo Verde, caso os viajantes estejam clinicamente estáveis.
Risco para o público é baixo, diz OMS
Segundo a organização, o surto representa risco baixo para a população em geral, e não há recomendação de restrições de viagem. Entre as medidas sugeridas estão monitoramento de sintomas, higienização frequente das mãos, ventilação adequada e isolamento de pessoas sintomáticas.
Ambiente favorável à propagação de vírus
Especialistas lembram que navios de cruzeiro reúnem fatores que facilitam a disseminação de doenças infecciosas: grande circulação internacional de pessoas, espaços fechados e convivência prolongada. Surtos recentes de norovírus em embarcações das empresas Royal Caribbean e Holland America, registrados em outubro de 2025 e janeiro de 2026, reforçam essa preocupação.
Imagem: Internet
A infectologista Elba Lemos, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirma que ainda é cedo para concluir se houve transmissão a bordo ou se os passageiros foram infectados antes do embarque, possivelmente em áreas rurais da Patagônia. A OMS investiga a presença da cepa Andes, rara variante capaz de transmissão entre pessoas em contato próximo.
O que é o hantavírus
Os hantavírus formam um grupo com mais de 20 espécies transmitidas principalmente por roedores silvestres por meio da inalação de partículas presentes em urina, fezes ou saliva dos animais. A cepa Andes, comum na Argentina e no Chile, é a única com evidência de contágio pessoa a pessoa. A doença tem período de incubação de três a 60 dias e pode apresentar letalidade entre 20% e 50% dos casos.
Protocolos mais rígidos após a pandemia
Elba Lemos lembra que, após a Covid-19, o setor de cruzeiros passou a operar sob normas sanitárias mais estritas, que abrangem climatização, manipulação de alimentos, descarte de resíduos e avaliação de passageiros. A fiscalização cabe a agências reguladoras de cada país.
A operadora Oceanwide Expeditions, responsável pelo MV Hondius, informou que continua adotando todos os protocolos médicos e que a saúde e a segurança de passageiros e tripulantes permanecem como prioridade.
Com informações de Folha de S.Paulo





