OMS afirma que surto de hantavírus em cruzeiro não tem potencial pandêmico

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou nesta quarta-feira (6) que o surto de hantavírus identificado no cruzeiro MV Hondius, ancorado em Cabo Verde desde domingo (3), não apresenta características de pandemia e representa risco global baixo.

Três pessoas a bordo morreram e outras oito são consideradas casos suspeitos pela OMS. A entidade conduz, desde o fim de semana, ações de monitoramento com autoridades de vários países, mas avalia que não há necessidade de convocar um comitê de emergência, recurso reservado a cenários mais críticos.

Transmissão limitada

Segundo especialistas da organização, o hantavírus se comporta de forma diferente de doenças respiratórias altamente contagiosas, como Covid-19 e gripe. A infecção ocorre principalmente por contato com urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. A transmissão entre humanos é rara e, até agora, restrita à cepa Andes — presente em parte dos casos do navio — e apenas em situações de contato físico muito próximo, como compartilhamento de cabines ou cuidados diretos a pacientes.

Maria Van Kerkhove, diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da OMS, ressaltou que não há indícios de mutações que aumentem a capacidade de disseminação do vírus.

Origem provável

A principal hipótese da OMS é que o casal holandês inicialmente infectado contraiu a cepa Andes durante atividades de observação de aves na Argentina, antes do embarque. As autoridades argentinas de Ushuaia, de onde o navio partiu em 1º de abril, consideram improvável que o surto tenha começado na cidade.

O que é o hantavírus?

O hantavírus pertence ao gênero Orthohantavirus e causa a hantavirose, doença capaz de provocar síndrome cardiopulmonar grave. Nas Américas, a letalidade chega a 40%, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Como ocorre a transmissão?

O contágio se dá principalmente pela inalação de aerossóis formados a partir das excretas de roedores silvestres. Ratos urbanos comuns estão mais ligados à leptospirose do que ao hantavírus.

OMS afirma que surto de hantavírus em cruzeiro não tem potencial pandêmico - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Incidência no Brasil

Entre 1993 e 2024, o Brasil registrou 2.377 casos e 540 mortes. Em 2025 foram notificadas 28 ocorrências, e, nos quatro primeiros meses de 2026, outras seis.

Sintomas e evolução

A fase inicial dura de três a cinco dias, com febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. A etapa cardiopulmonar, que pode surgir entre 4 e 24 horas após o aparecimento de tosse e dificuldade respiratória, inclui taquipneia, hipotensão, edema pulmonar e taquicardia. Casos graves necessitam de internação em UTI; não há tratamento específico.

Prevenção

Não existe vacina disponível nas Américas. As orientações da Organização Pan-Americana da Saúde envolvem impedir a entrada de roedores em ambientes, armazenar alimentos corretamente, manter terrenos limpos, utilizar ratoeiras e higienizar frutas, latas e mãos em áreas com risco de contaminação.

Com informações de Folha de S.Paulo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Mais destaques

Posts relacionados