O Ministério da Saúde da Argentina informou nesta quarta-feira (6) que o país contabilizou 42 casos de hantavírus em 2026. Considerando o período epidemiológico de junho de 2025 a junho de 2026, o total chega a 101 infecções, quase o dobro dos 57 registros do ciclo anterior.
Diante da elevação dos números, a pasta decidiu capturar e analisar roedores em Ushuaia, na Terra do Fogo. A cidade foi o ponto de partida do cruzeiro MV Hondius, que deixou o porto em 1º de abril com 149 passageiros de 23 nacionalidades. Três pessoas que estavam a bordo morreram após contraírem o vírus.
As autoridades também irão reconstituir o trajeto de um casal de turistas holandeses, as primeiras vítimas fatais identificadas. Segundo o governo, o casal passou pelo Chile antes de desembarcar na Argentina.
Casos são considerados isolados
Especialistas afastam a hipótese de surto. O biólogo Raúl González Ittig, da Universidade Nacional de Córdoba, declarou que se trata de ocorrências pontuais. “Há registros anuais de hantavírus no país”, explicou, lembrando que existem quatro áreas endêmicas argentinas com diferentes variantes do patógeno.
O último surto relevante no território ocorreu no final de 2018, em Epuyén, quando uma festa de aniversário resultou em mais de 50 infectados e 15 mortes.
Uma dessas regiões endêmicas inclui os bosques andino-patagônicos, onde circula a variante Andes, suspeita de ter infectado os passageiros do MV Hondius. Essa cepa é a única com evidência de transmissão entre pessoas.
Imagem: Internet
Infecção em Ushuaia é considerada improvável
Ittig ressaltou que nunca houve registros de hantavírus na Terra do Fogo, tornando remota a possibilidade de contágio em Ushuaia. O período de incubação, que pode durar semanas, reforça a tese de que a exposição tenha ocorrido antes do embarque.
Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província, confirmou a avaliação e classificou como “muito improvável” o contágio local, citando a ausência histórica da doença na região.
Até o momento, o Ministério da Saúde mantém a investigação em curso, mas não trabalha com a perspectiva de um surto.
Com informações de Folha de S.Paulo





