Um mapeamento inédito de mais de 100 espécies de peixes-pescadores sugere que as iscas bioluminescentes usados pelas fêmeas evoluíram não apenas para capturar alimento, mas também para atrair machos.
A conclusão faz parte de pesquisa assinada por Alex Maile, da Universidade do Kansas, e Matthew Davis, da Universidade Estadual de St. Cloud (Minnesota), publicada no fim de março na revista Ichthyology and Herpetology.
Como o trabalho foi conduzido
Os cientistas analisaram exemplares preservados em álcool em diversos museus, incluindo o Museu de História Natural do Condado de Los Angeles. Além dos corpos, o DNA das espécies foi comparado para compor uma árvore genealógica abrangente da família dos peixes-pescadores, que reúne mais de 400 espécies.
Fósseis conhecidos ajudaram a calibrar essa árvore e indicar quando determinadas características surgiram. Conforme o estudo, as primeiras espécies com isca apareceram há cerca de 72 milhões de anos e, inicialmente, não emitiam luz. A bioluminescência teria despontado aproximadamente 40 milhões de anos depois, impulsionando uma diversificação mais rápida dos grupos que apresentam brilho.
Ambiente extremo favorece múltiplas funções
A maioria dos peixes-pescadores vive a milhares de metros de profundidade, onde a escuridão é permanente, a água é fria e o alimento escasso. Nessa realidade, uma isca luminosa pode resolver dois desafios ao mesmo tempo: atrair presas e sinalizar a presença da fêmea aos machos, muito menores, mas dotados de olhos proporcionalmente grandes.
A análise indica que linhagens bioluminescentes se diversificam em ritmo superior ao de parentes não luminosos, indício de que o brilho pode ajudar indivíduos de espécies diferentes a se reconhecerem para o acasalamento.
Imagem: Internet
Próximos passos
Ao estabelecer uma genealogia robusta, os autores avaliam ter criado base para estudos futuros sobre as razões que permitem a esses animais prosperar em um ambiente considerado hostil. “Você precisa comer e precisa procriar”, observou Tracey Sutton, do Centro de Pesquisa Oceanográfica Guy Harvey, que não participou do trabalho. Para o pesquisador, a dupla função da isca luminosa é uma “solução elegante” às duas necessidades fundamentais.
Os autores recordam que muitos desses peixes jamais foram observados vivos, o que torna as coleções museológicas essenciais para desvendar sua evolução.
Com informações de Folha de S.Paulo





