Mamão maduro reforça ação da pectina e favorece microbiota intestinal, aponta USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que o mamão papaia oferece mais vantagens ao intestino quando consumido no ponto de maturação avançado. O trabalho, publicado no periódico International Journal of Biological Macromolecules, concluiu que alterações na pectina – fibra abundante na fruta – potencializam a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e estimulam o crescimento de bactérias benéficas.

O que o estudo mostrou

A equipe analisou a composição do mamão em diferentes estágios de amadurecimento e testou a pectina em modelo animal. Verificou-se que, ao ficar mais solúvel e com cadeias menores, a fibra:

  • eleva a síntese de AGCC, fonte de energia para colonócitos e protetores da mucosa do intestino grosso;
  • favorece a expansão de microrganismos do gênero Lactobacillus, sugerindo efeito prebiótico.

“Garantir um ecossistema intestinal equilibrado traz reflexos positivos até para a saúde mental e o sistema imunológico”, ressaltou o nutrólogo Celso Cukier, do Hospital Israelita Albert Einstein, que comentou os achados.

Mudanças durante o amadurecimento

Segundo o farmacêutico-bioquímico João Paulo Fabi, coordenador do estudo, o mamão é uma fruta climatérica: continua amadurecendo depois de colhida. O processo envolve aumento de etileno, que ativa enzimas capazes de romper paredes celulares e reduzir o tamanho da pectina. “Com menor peso molecular, a fibra torna-se mais solúvel e bioativa”, explicou.

Além das transformações na fibra, a maturação altera cor, sabor e textura. A casca verde, rica em clorofila, adquire tons alaranjados ou avermelhados devido ao acúmulo de carotenoides, a exemplo do licopeno no papaia e do betacaroteno no formosa. Esses compostos, ao lado da vitamina C, desempenham ação antioxidante.

Por que proteger a microbiota

Manter o equilíbrio de bactérias intestinais evita a disbiose, condição em que microrganismos nocivos superam os benéficos, aumentando a permeabilidade intestinal e favorecendo a entrada de substâncias prejudiciais na circulação. “A ingestão do papaia maduro colabora para elevar espécies de Lactobacillus”, destacou a nutricionista Janaina Lombello Santos Donadio, autora principal da pesquisa desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

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Imagem: Internet

Nutrientes extras

O dulçor característico do mamão maduro resulta da quebra da sacarose em glicose e frutose. Entre as enzimas envolvidas está a papaína, associada à digestão de proteínas, razão pela qual a fruta costuma ser indicada como sobremesa leve.

Os cientistas reforçam que o consumo do fruto deve integrar um estilo de vida saudável, que inclua dieta equilibrada, prática regular de atividade física e sono adequado.

Com informações de Folha de S.Paulo

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