A cantora Camilly Victória, 24 anos, filha de Xanddy e Carla Perez, colocou em evidência o termo heterossexualidade compulsória ao responder seguidores no Instagram. Ela afirmou que muitas mulheres lésbicas vivem uma adaptação às expectativas sociais antes de reconhecer a própria orientação sexual. “A sociedade faz a gente crescer acreditando que, para ser feliz, precisa encontrar o homem da sua vida”, declarou.
Heterossexualidade compulsória é a expressão utilizada para descrever a pressão cultural que apresenta a heterossexualidade como norma e destino natural, especialmente para mulheres. Desde a infância, segundo especialistas, esse padrão é reforçado por família, escola, religião, mídia e demais espaços sociais.
Origem do conceito
A escritora norte-americana Adrienne Rich (1929-2012) é apontada como uma das responsáveis por difundir a ideia. Para Rich, a heterossexualidade funciona como instituição política que mantém o domínio masculino por meio de mecanismos que vão da violência física ao controle econômico e simbólico.
Papel da socialização infantil
A assistente social Alice Nascimento, pesquisadora de gênero e sexualidade na UFRJ, explica que o processo começa cedo. Brincadeiras que simulam namoro, expectativas familiares e narrativas de filmes nos quais mulheres são “salvas” por homens reforçam o modelo heterossexual como obrigatório.
Impacto amplo na sociedade
Para a pesquisadora Gloria Rabay, da UFPB, a heterossexualidade compulsória não atinge apenas pessoas LGBTQIA+. Mulheres heterossexuais também são impactadas, pois a estrutura hierarquiza o masculino como dominante e associa o feminino à submissão. Rabay observa ainda que homens que fogem ao padrão de masculinidade tradicional sofrem pressões semelhantes, mesmo sem serem gays.
Imagem: Internet
As especialistas ressaltam o caráter histórico e cultural dessas normas, lembrando que categorias como heterossexualidade e homossexualidade são construções sociais que variam conforme o tempo e a cultura.
Com informações de Folha de S.Paulo





