Uma análise publicada nesta semana encerrou a série “Como Deus Nasceu”, do jornalista Reinaldo José Lopes, destacando duas mudanças decisivas ocorridas nos primeiros séculos do Islã: a elevação do Corão à condição de texto “incriado” e o surgimento de correntes messiânicas, com ênfase no xiismo.
Corão passa a ser visto como eterno
Após a consolidação do cânone corânico, grande parte da comunidade muçulmana passou a considerar o livro sagrado existente antes do tempo, como um atributo divino de Allah. Embora escrito em árabe, o texto passou a ser entendido como eterno e livre de qualquer falha, adquirindo status ainda mais elevado que o tradicionalmente dado à Bíblia por algumas denominações cristãs.
Crise sucessória gera vertentes messiânicas
A morte do profeta Maomé, em 632, deixou a Arábia unificada, mas abriu disputa pela liderança da ummah. Os quatro primeiros califas expandiram o domínio islâmico até regiões como Egito, Síria, Irã, norte da África e Espanha. O quarto deles, Ali — primo e genro de Maomé —, foi assassinado em 661, impedindo que seus descendentes se mantivessem no poder.
Insatisfeitos, seguidores de Ali formaram um grupo dissidente que deu origem ao xiismo, termo derivado de “shiatu Ali” (“partido de Ali”). Perseguidos pelas autoridades do califado, esses fiéis elaboraram uma teologia na qual Maomé e seus herdeiros, denominados imãs, são considerados infalíveis.
O 12º imã e a expectativa de retorno
A vertente xiita predominante no Irã sustenta que o 12º imã, desaparecido no século IX, não morreu, mas foi ocultado por intervenção divina. A tradição afirma que ele reaparecerá no fim dos tempos para restaurar o reino de Deus na Terra, crença que aproxima o xiismo de outros movimentos messiânicos presentes em diferentes religiões.
Série chega ao fim
Com 22 episódios publicados entre 30 de julho de 2025 e maio de 2026, a série de Lopes percorreu as origens dos três grandes monoteísmos — judaísmo, cristianismo e islamismo — e agora seguirá intercalando temas de biologia evolutiva e história das religiões.
Com informações de Folha de S.Paulo





