Fragmento ósseo revela espécie mais recente das “aves do terror” no Brasil

Um pedaço de osso encontrado na caverna Toca dos Ossos, em Ourolândia (BA), indica que os forusracídeos — conhecidos como “aves do terror” — sobreviveram no território brasileiro até cerca de 25 mil anos atrás. A peça, parte do tibiotarso, serviu de base para a descrição de uma nova espécie, batizada de Eschatornis aterradora.

O estudo, assinado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Centro de Pesquisas em Ciências da Terra, na Argentina, foi publicado no mês passado na revista científica Papers in Palaeontology.

Características do animal

A E. aterradora integra o grupo dos forusracídeos, aves não voadoras cujos parentes vivos mais próximos são as seriemas. Com peso estimado de até 6 kg e altura entre 70 cm e 90 cm, o novo fóssil representa uma linhagem menor dentro das “aves do terror”, cujos maiores exemplares podiam atingir 3 m de altura e 350 kg.

Segundo o primeiro autor do trabalho, Victor Hugo Machado, da PUC-MG, essas formas menores eram provavelmente mais ágeis e precisas na caça, enquanto as de grande porte dependiam de ataques mais potentes, graças a crânios robustos e bicos recurvos capazes de rasgar carne.

Identificação e nome

O fragmento foi descoberto há alguns anos e, em 2008, chegou a ser classificado como pertencente a um catartídeo (grupo de urubus e condores). Uma nova análise de detalhes anatômicos, entretanto, confirmou sua ligação com os forusracídeos. O gênero Eschatornis deriva do grego e significa “última ave”, em alusão ao fato de se tratar do registro mais recente do grupo; o epíteto aterradora faz menção ao apelido popular “ave do terror”.

Fragmento ósseo revela espécie mais recente das “aves do terror” no Brasil - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Contexto paleoambiental

Esses predadores dominaram a América do Sul por dezenas de milhões de anos, período em que o continente esteve isolado. A situação mudou há cerca de 3 milhões de anos, quando a conexão terrestre com a América do Norte permitiu a chegada de grandes felinos e ursos. A competição com esses novos superpredadores, aliada a mudanças climáticas, é uma das hipóteses para a extinção das maiores “aves do terror”, deixando representantes de porte modesto como a recém-descrita E. aterradora.

O achado reforça a diversidade do grupo perto do fim do Pleistoceno e amplia o conhecimento sobre a fauna brasileira na chamada Era do Gelo.

Com informações de Folha de S.Paulo

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