Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) indica que mulheres que mantêm relações sexuais exclusivamente com outras mulheres apresentam frequência mais alta de vaginose bacteriana do que aquelas que se relacionam apenas com homens.
Metodologia
O trabalho, publicado na revista Scientific Reports, integra o projeto “Cuidando da saúde da mulher que faz sexo com mulher”, desenvolvido há 12 anos pelo Departamento de Enfermagem da Unesp em parceria com o Departamento de Patologia Básica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com apoio do Centro de Saúde Escola da instituição paulista.
Foram analisadas amostras vaginais de 109 voluntárias: 54 que declararam ter relações somente com mulheres e 55 que relataram envolvimento apenas com homens. Cerca de 90% das participantes tinham menos de 40 anos, e os dois grupos apresentaram características semelhantes de etnia, renda familiar e outros fatores sociodemográficos.
As pesquisadoras utilizaram o sequenciamento do gene do RNA ribossômico 16S (rRNA) para identificar a composição da microbiota vaginal, método considerado padrão-ouro para esse tipo de análise.
Principais resultados
Não foram observadas diferenças significativas na ocorrência de infecções sexualmente transmissíveis — como HPV, HIV, clamídia e candidíase — entre os dois grupos. Entretanto, a vaginose bacteriana foi detectada em aproximadamente 40% das mulheres que fazem sexo com mulheres, contra 14% das que se relacionam apenas com homens.
A condição está associada ao desequilíbrio da microbiota vaginal, normalmente dominada por bactérias do gênero Lactobacillus, produtoras de peróxido de hidrogênio capaz de inibir patógenos. A redução desses micro-organismos pode elevar o risco de ISTs, doença inflamatória pélvica, parto prematuro e ruptura precoce das membranas amnióticas, além de provocar odor desagradável e aumento do corrimento.
Imagem: Internet
Fatores associados
Segundo a enfermeira Mariana Alice de Oliveira Ignácio, uma das autoras do artigo, o estudo também identificou relação entre maior ocorrência de vaginose e o uso de brinquedos sexuais, bem como renda familiar mais baixa — esta última possivelmente ligada a menor acesso a serviços de saúde.
A pesquisadora destaca a importância de que profissionais de saúde considerem essas variáveis ao atender mulheres que se relacionam com mulheres, a fim de evitar que alterações na microbiota passem despercebidas. Novos resultados do projeto deverão ser divulgados em publicações futuras.
Com informações de Folha de S.Paulo





