O governo dos Estados Unidos alterou, na quinta-feira (23), a classificação federal da Cannabis destinada a uso medicinal. A planta deixou o Schedule 1 — lista que reúne substâncias consideradas sem valor terapêutico e com alto potencial de abuso — e passou para o Schedule 3, reservado a fármacos controlados com aplicação clínica reconhecida.
A mudança, assinada pelo presidente Donald Trump menos de uma semana depois de norma que acelerou o acesso a psicodélicos para tratamento de transtornos mentais (sábado, 18), vale somente para produtos de maconha comercializados em estados que permitem a venda medicinal. O uso adulto, já legalizado em 24 estados, permanece no Schedule 1 em nível federal.
Consequências imediatas
A reclassificação traz dois efeitos principais:
- Incentivos fiscais: empresas do setor passam a ter direito a deduções tributárias federais antes vetadas.
- Facilidade para pesquisas: cientistas que trabalham em estados onde a maconha medicinal é permitida enfrentam menos barreiras para adquirir a substância em estudos sobre eficácia e segurança, sobretudo em variedades com alto teor de THC.
Divergências políticas
O ato federal corrige a discordância com 48 estados que já autorizam algum tipo de uso medicinal — 40 concedem licença ampla para derivados da planta e oito limitam-se a óleos com baixo teor de THC. Apenas Idaho e Kansas não permitem nenhuma forma de prescrição.
Em Washington, a medida enfrenta resistência de alas ultraconservadoras do Partido Republicano, que rejeitam qualquer flexibilização da lei antidrogas. Organizações contrárias, como a Smart Approaches to Marijuana, representada por Kevin Sabet, acusam o governo de conceder subsídios à chamada “Big Weed”. O mercado de cannabis nos EUA deve movimentar mais de US$ 40 bilhões (aproximadamente R$ 200 bilhões) em 2026, segundo estimativas citadas por críticos.
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Reflexo no mercado financeiro
A expectativa de expansão regulatória impulsionou as ações de companhias do segmento. Papéis de empresas como Compass Pathways e AtaiBeckley subiram entre 30% e 50% logo após o anúncio — antes mesmo de receberem aprovação final para seus tratamentos baseados em psicodélicos.
A utilidade terapêutica da Cannabis é reconhecida em quadros como epilepsia grave. Embora haja risco de dependência, especialistas lembram que medicamentos opioides, além de álcool e tabaco, apresentam perfil de segurança mais crítico e já são regulamentados para uso controlado.
Com informações de Folha de S.Paulo





