Interior de SP registra quase 80% de pacientes do SUS acima do peso, mostra SISVAN

Levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) aponta que 77,41% dos moradores atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Viradouro, município de 17 mil habitantes a cerca de 400 km da capital paulista, apresentam sobrepeso ou algum grau de obesidade.

Distribuição dos índices

Entre os cadastrados no SISVAN na cidade, 30,04% estão com sobrepeso, 24,05% têm obesidade grau 1, 14,92% obesidade grau 2 e 8,40% obesidade grau 3. A classificação segue o Índice de Massa Corporal (IMC) adotado pelo Ministério da Saúde, que considera obesidade a partir de IMC 30.

Interiorização do problema

Especialistas atribuem a alta prevalência à combinação de menor renda, oferta limitada de serviços especializados e expansão do consumo de ultraprocessados. “Quando falta estrutura de prevenção, há atraso no diagnóstico e no início do tratamento, permitindo que a obesidade evolua de forma silenciosa”, afirma Rafael Appel Flores, pesquisador da USP de Ribeirão Preto.

Em Viradouro, a renda média per capita é de aproximadamente R$ 1.600, segundo o IBGE. Já em municípios mais ricos do estado, como São Caetano do Sul, onde a renda média supera R$ 3.500, a proporção de usuários do SUS com excesso de peso cai para cerca de 50%.

Riscos associados

De acordo com a médica Luiza Vercelli, residente em Medicina do Esporte no IAMSPE, o excesso de peso eleva as chances de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e problemas articulares. Também há impactos psicossociais, como estigma e depressão.

Debate sobre novos medicamentos

A possível incorporação de fármacos à base de semaglutida, como o Ozempic, ao SUS reacende a discussão sobre tratamento farmacológico. O Ministério da Saúde informou que a recente quebra de patente deve reduzir os preços e que solicitou prioridade à Anvisa para o registro de genéricos, estimando queda média de 30% no custo.

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Imagem: Internet

A semaglutida imita o hormônio GLP-1, reduzindo o apetite e prolongando a saciedade. Estudos indicam perda média de 15% do peso corporal e benefícios cardiovasculares. “O uso precisa ser contínuo e combinado a mudanças no estilo de vida. Sem isso, o paciente tende a recuperar peso”, ressalta Vercelli.

As secretarias de Saúde de Viradouro e do Estado de São Paulo foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Com informações de Folha de S.Paulo

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