O geneticista norte-americano Craig Venter morreu aos 79 anos em decorrência de complicações no tratamento de um câncer, quase 26 anos após anunciar, na Casa Branca, a primeira leitura completa do genoma humano. A cerimônia de 26 de junho de 2000 reuniu Venter, o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, o premiê britânico Tony Blair (por videoconferência) e o diretor do Projeto Genoma Humano, Francis Collins.
Na ocasião, Clinton declarou que “os filhos de nossos filhos só conheceriam o câncer como uma constelação de estrelas”, ao justificar o investimento de US$ 3 bilhões feito pelo governo dos EUA na pesquisa. Passadas mais de duas décadas, Venter sucumbiu justamente à doença que esperava ver controlada com a ajuda da genômica.
Disputa pública x privada
A solenidade de 2000 foi uma solução de compromisso para encerrar a rivalidade entre dois projetos rivais de sequenciamento. De um lado, o consórcio internacional liderado por Collins no National Human Genome Research Institute; de outro, a empresa Celera Genomics, fundada por Venter em 1992. A Celera usou o método de leitura rápida apelidado de “shotgun” (cartucheira) e ameaçava chegar primeiro à decodificação das cerca de 3 bilhões de bases de DNA humanas.
Contexto político
O anúncio ocorreu enquanto Clinton enfrentava as repercussões do processo de impeachment ligado ao caso Monica Lewinsky. Nos meses finais desse embate político, o presidente e Blair autorizaram a Operação Raposa do Deserto, bombardeio contra o Iraque sob alegação de eliminar armas de destruição em massa.
Outros marcos de 1992
O mesmo ano em que Venter criou a Celera marcou a Eco-92, no Rio de Janeiro, quando a ONU lançou a Convenção sobre Mudança do Clima. Trinta e quatro anos depois, na COP30 em Belém, especialistas voltaram a lamentar o ritmo lento da transição energética. Paralelamente, representantes de 57 países reuniram-se em Santa Marta, Colômbia, para discutir caminhos alternativos de redução de emissões; Estados Unidos, China, Rússia e Índia não foram convidados.
Imagem: Internet
A trajetória de Craig Venter deixa um legado tecnológico que acelerou a pesquisa genética mundial, embora o câncer continue sendo um dos maiores desafios da medicina.
Com informações de Folha de S.Paulo





