Envelhecimento reduz apetite, mas exige mais proteínas; ajuste na dieta é essencial, dizem especialistas

A diminuição do apetite na terceira idade contrasta com uma demanda maior por nutrientes, em especial proteínas. A constatação é de geriatras e nutricionistas que observam, entre os idosos, queda na ingestão alimentar provocada por alterações no paladar, dificuldades de mastigação, digestão mais lenta e uso contínuo de medicamentos.

A aposentada Daysi Leite de Campos, 77, relata que passou a comer porções menores e mais frequentes. “A ansiedade para comer já não existe, então preciso fracionar as refeições ao longo do dia”, conta.

Paladar menos sensível e problemas odontológicos

Com o avanço da idade, as papilas gustativas perdem sensibilidade, fazendo com que muitos alimentos pareçam sem sabor. Parte dos remédios de uso regular ainda provoca gosto metálico, o que diminui o apetite. No campo bucal, perdas dentárias e próteses mal ajustadas — reflexo de histórico limitado de atendimento odontológico antes da criação do Brasil Sorridente em 2004 — comprometem a mastigação.

Após anos de bruxismo, Daysi perdeu dentes e precisou alterar a consistência da comida. Carnes foram deixadas de lado, enquanto preparações mais macias e ricas em carboidratos ganharam espaço, reduzindo a presença de proteína no prato.

Digestão lenta e sarcopenia

O geriatra Clineu Almada, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o esvaziamento gástrico se torna mais demorado, prolongando a sensação de saciedade e levando o idoso a comer menos. A ingestão insuficiente de proteína, aliada a sedentarismo e doenças crônicas, favorece a perda de massa muscular, quadro conhecido como sarcopenia.

Segundo Almada, a redução muscular diminui o gasto calórico e o metabolismo, enquanto o consumo proporcionalmente maior de carboidratos agrava o desequilíbrio nutricional. “Cria-se um cenário em que o idoso não recompõe o músculo perdido”, afirma.

O geriatra Marco Túlio Ribeiro, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, associa a alimentação inadequada ao aumento de doenças crônicas e internações. Excesso de carboidrato eleva o risco de diabetes, gordura em demasia favorece problemas cardiovasculares e pouca proteína acelera a perda de massa magra.

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Imagem: Internet

Obesidade sarcopênica e doenças neurológicas

Ribeiro chama atenção para a obesidade sarcopênica, combinação de excesso de peso com perda muscular que reúne riscos metabólicos e de mobilidade. Situações se agravam em pacientes com Parkinson ou Alzheimer, que podem desenvolver disfagia (dificuldade para engolir) e risco de pneumonia aspirativa.

Com 86 anos e Alzheimer avançado, Tabajara Nascimento Domit depende de preparações pastosas. A cuidadora Rita de Cássia da Silva, 56, conta que o tempo para concluir as refeições aumentou e o peso corporal caiu, exigindo adaptações como purês, carnes desfiadas e pratos úmidos.

Medidas recomendadas

Para minimizar problemas nutricionais, profissionais sugerem:

  • Fracionar refeições, incluindo fonte de proteína em todas;
  • Manter variedade de cores no prato, garantindo vitaminas e minerais;
  • Ingerir líquidos regularmente, já que a sede diminui com a idade;
  • Priorizar fibras e água para regular o intestino, deixando laxantes para casos indicados por médico;
  • Adequar a consistência dos alimentos sem perder densidade nutricional, preferencialmente com orientação de nutricionista ou fonoaudiólogo.

Especialistas reforçam que qualquer alteração alimentar deve ser acompanhada por profissionais para evitar carências nutricionais e preservar a autonomia do idoso.

Com informações de Folha de S.Paulo

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