O Brasil registrou em 2025 o maior número de doadores de órgãos efetivos de sua história. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, divulgado nesta quarta-feira (6) pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 4.335 pessoas doaram pelo menos um órgão no período, o que representa 20,3 doadores por milhão de população (pmp).
O volume de notificações de potenciais doadores também quebrou recorde, somando 15.940 comunicações aos serviços de transplante.
Rim e fígado lideram os procedimentos
O rim manteve a posição de órgão mais transplantado no país. Em 2025 foram realizadas 6.697 cirurgias, expansão de 5,9% em relação a 2024. Já os transplantes de fígado chegaram a 2.573, alta de 4,8% na mesma comparação. Em ambos os casos, o crescimento foi impulsionado por doadores falecidos.
“No transplante renal, o aumento superou a própria variação da taxa de doadores efetivos, indicando melhor aproveitamento dos rins disponíveis”, aponta o relatório da ABTO.
Recusa familiar segue como principal obstáculo
Apesar do avanço nos indicadores, o consentimento das famílias continua a ser o maior desafio. Em 45% das oportunidades a doação foi negada pelos parentes do potencial doador. A contraindicação médica respondeu por 19% das perdas.
Para a entidade, a solução passa por “aprimorar o acolhimento familiar e flexibilizar os critérios de aceitação de doadores limítrofes pelas equipes mais experientes”.
Fila de espera cresce e mortes aumentam
Em dezembro de 2025 havia 73.877 pacientes na lista ativa por um órgão — aumento de 12% sobre o ano anterior. No mesmo período, 4.102 pessoas morreram enquanto aguardavam um órgão, alta de 9% frente a 2024.
Situação pediátrica preocupa
Os transplantes em crianças tiveram leve avanço, passando de 555 em 2024 para 586 em 2025. Mesmo assim, 50 menores de idade morreram na fila. O número de doadores pediátricos caiu de 274 em 2023 para 211 no ano passado, fato que a ABTO classifica como estagnação.
Dificuldades de acesso a centros especializados, encaminhamento tardio e barreiras logísticas e socioeconômicas aparecem entre os principais entraves para o público infantil.
Imagem: Internet
Desigualdade regional
A região Sul apresentou a maior taxa de doadores efetivos (34,8 pmp), enquanto o Norte ficou com 8,5 pmp. Santa Catarina (42,8 pmp) e Paraná (38,9 pmp) lideraram o ranking estadual, ao passo que Roraima e Amapá não registraram doadores em 2025.
No país, a taxa de efetivação de doações em relação ao total de notificações foi de 27,2%.
Procedimentos que recuaram
Nem todos os órgãos acompanharam o desempenho de rins e fígados. Os transplantes cardíacos caíram 4,3%, totalizando 427 cirurgias (2 pmp). Pulmão e pâncreas continuam abaixo do nível pré-pandemia, com 96 e 142 procedimentos, respectivamente.
Posição internacional
Em números absolutos, o Brasil permanece na quarta colocação mundial em transplantes renais e hepáticos entre 35 países analisados pelo International Registry in Organ Donation and Transplantation (IRODaT, dados de 2024). Já em doadores efetivos por milhão de habitantes, o país ocupa a 25ª posição entre 45 nações avaliadas.
O relatório da ABTO alerta que, sem ampliação e descentralização dos serviços, o sistema brasileiro continuará aquém do potencial no atendimento à demanda por transplantes.
Com informações de Folha de S.Paulo





