Operação de resgate do cruzeiro com surto de hantavírus começa domingo nas Ilhas Canárias

Após dias à deriva no Atlântico, o navio de cruzeiro MV Hondius, com cerca de 150 pessoas a bordo e um surto de hantavírus, deverá ancorar ao largo das Ilhas Canárias na manhã de domingo (10). Autoridades espanholas, governos de vários países e a Organização Mundial da Saúde (OMS) coordenam uma operação de resgate prevista para durar dois dias.

Evacuação sem atracar

A embarcação não receberá permissão para atracar. Permanecerá próxima à costa enquanto passageiros passam por triagem médica e transferência, entre o meio-dia de domingo e segunda-feira, período considerado seguro pelas autoridades devido às condições meteorológicas.

Repatriação internacional

Alemanha, França, Bélgica, Irlanda, Holanda e Estados Unidos confirmaram o envio de aeronaves para levar seus cidadãos de volta. A União Europeia disponibilizará outras duas aeronaves para passageiros de países do bloco sem voos próprios. EUA e Reino Unido apoiarão a retirada de viajantes de nações que não tenham condições de organizar transporte aéreo.

Somente passageiros com voos decolando imediatamente serão autorizados a desembarcar. Os espanhóis sairão primeiro, e a ordem dos demais será definida por autoridades sanitárias.

Procedimento de desembarque

Depois de avaliados a bordo, os viajantes serão levados em embarcações menores até terra firme e, em seguida, transportados de ônibus até o aeroporto local. Cada pessoa poderá carregar apenas itens essenciais; bagagens completas permanecerão no navio para desinfecção. O corpo de um passageiro que morreu e parte da tripulação também seguirão a bordo rumo à Holanda, país de bandeira do Hondius.

Apoio da OMS e plano de emergência

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à Espanha neste sábado (9) para acompanhar a operação. Segundo carta enviada pelo governo holandês ao Parlamento, a Espanha acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, mantendo em prontidão um avião de evacuação médica em Tenerife para eventuais casos graves.

Caso alguém apresente sintomas a bordo, médicos informarão as autoridades espanholas e a aeronave transferirá o paciente rapidamente para o continente europeu.

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Imagem: Internet

Risco considerado baixo

A OMS afirma que o risco de disseminação é “absolutamente baixo”. O vírus identificado é a cepa Andes, da América do Sul, única forma de hantavírus transmissível entre humanos. “Este é um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa realmente infectada”, disse o porta-voz da entidade, Christian Lindmeier, em Genebra.

Balanço do surto

Desde o início do surto, três passageiros morreram. Outros cinco deixaram o navio com suspeita de infecção; três casos foram confirmados. Duas mulheres na Espanha, que viajaram no mesmo voo de uma vítima holandesa, estão isoladas por suspeita de contágio.

No porto de Granadilla de Abona, moradores demonstram preocupação. “Depois da Covid-19, qualquer coisa envolvendo um vírus assusta”, relatou um residente à agência AFP.

Com informações de Folha de S.Paulo

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