O mercado mundial de produtos e serviços voltados ao bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões (cerca de R$ 38,9 trilhões) por ano, segundo o relatório mais recente do Global Wellness Institute. A projeção indica que o setor deve atingir US$ 9,8 trilhões (R$ 56 trilhões) em 2029.
No ranking global, o Brasil aparece na 11ª posição, com um faturamento estimado em US$ 125 bilhões (R$ 714 bilhões) em 2024. O segmento abrange desde itens de skincare e suplementos alimentares até práticas de meditação, exercícios físicos, terapias alternativas e experiências ligadas ao misticismo.
Autocuidado em alta desde a pandemia
A expansão acelerada teve impulso durante o isolamento provocado pela pandemia de covid-19, quando o “autocuidado” ganhou força como forma de aliviar angústias. A demanda permaneceu elevada, sustentada por indicadores preocupantes de saúde mental em todo o planeta.
Mulheres são o principal público dessa indústria. No Brasil, elas representam 70% dos diagnósticos de depressão e ansiedade, de acordo com o relatório Esgotadas, elaborado pelo Lab Think Olga. O mesmo grupo também lidera estatísticas de estresse e burnout.
Promessas de resultados rápidos
Para a jornalista norte-americana Rina Raphael, autora do livro The Gospel of Wellness, o setor conquista consumidores ao apresentar benefícios envoltos em certezas e sensação de controle. Nas redes sociais, a narrativa inclui metas constantes de “melhor versão”, criando a percepção de que sempre há algo a ser aprimorado.
Estudiosos Carl Cederström e André Spicer, no livro The Wellness Syndrome, afirmam que o bem-estar passou a ser tratado como obrigação moral, gerando frustração quando as expectativas não são alcançadas.
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Necessidade de cautela
Especialistas alertam que parte dos produtos e práticas divulgados carece de comprovação científica e, em alguns casos, pode trazer riscos. A orientação é avaliar evidências, possíveis efeitos colaterais e buscar orientação profissional antes de investir tempo e recursos.
Condições básicas de vida — como segurança, educação, saneamento, trabalho digno e alimentação adequada — continuam apontadas como fatores essenciais para o bem-estar genuíno, enquanto soluções rápidas raramente resolvem causas profundas de desconforto físico ou emocional.
Com informações de Folha de S.Paulo





