Um levantamento conduzido pela Vital Strategies Brasil em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) identificou um grande descompasso entre a dor menstrual e pélvica relatada por meninas e mulheres e o registro desses casos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa, financiada pelo Instituto Alana, analisou prontuários de 469 mil pacientes de 10 a 49 anos atendidas na rede municipal de saúde do Recife entre 2016 e 2025. Utilizando inteligência artificial, os pesquisadores compararam os diagnósticos registrados com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e o conteúdo textual escrito por profissionais de saúde.
Nos prontuários, apenas 0,5% (1.906 mulheres) apresentavam um código CID-10 relacionado a dor menstrual ou pélvica. Entretanto, a análise semântica feita pela ferramenta de IA identificou menções a esse tipo de dor em 9% da amostra, o equivalente a mais de 41 mil pacientes.
Os resultados reforçam a percepção de que muitas mulheres não têm suas queixas plenamente reconhecidas em consultas de atenção primária, o que pode atrasar diagnósticos e tratamentos para condições como endometriose.
O tema é discutido no episódio desta sexta-feira (22) do podcast Café da Manhã. O programa recebe Sofia Reinach, líder da iniciativa de saúde menstrual, dor pélvica e endometriose do Alana, para detalhar os achados do estudo e comentar a experiência de mulheres que se sentem pouco ouvidas nas consultas médicas.
Imagem: Internet
Disponível no Spotify, o Café da Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre no início do dia. O episódio é apresentado pelas jornalistas Gabriela Mayer e Magê Flores, com produção de Gustavo Luiz e Laura Lewer e edição de som de Thomé Granemann.
Com informações de Folha de S.Paulo





