A Eli Lilly divulgou nesta quinta-feira (21) que seu fármaco em desenvolvimento para obesidade, a retatrutida, provocou redução média de 28,3% do peso corporal entre adultos obesos sem diabetes ao longo de 80 semanas, em estudo de fase avançada. Com o resultado, a companhia pretende solicitar autorização regulatória e colocar o produto no mercado em 2027.
Segundo a empresa, 45,4% dos participantes tratados com a dose mais elevada, de 12 mg, eliminaram pelo menos 30% do peso—a faixa de eficácia costuma ser associada à cirurgia bariátrica. “Ter esse nível de perda de peso em um medicamento é significativo”, afirmou Kenneth Custer, presidente de saúde cardiometabólica da Eli Lilly.
Segurança e efeitos colaterais
Analistas vinham demonstrando preocupação com relatos de disestesia (sensação anormal na pele) observados em análises preliminares. No novo levantamento, o evento adverso apareceu em 12,5% dos pacientes na dose de 12 mg, ante 20,9% registrados anteriormente. Cerca de 11% dos voluntários nessa faixa interromperam o tratamento por reações adversas.
Para o BMO Capital Markets, a redução de efeitos indesejáveis compensa a ligeira queda na perda de peso em relação aos dados prévios. O perfil de segurança, disse Custer, manteve-se “amplamente consistente” com outros medicamentos da classe GLP-1.
Concorrência no mercado
Atualmente, a Lilly já comercializa a tirzepatida, aprovada com os nomes Mounjaro e Zepbound, que alcança perdas de 15% a 20% em estudos. O Wegovy, da Novo Nordisk, apresenta resultados semelhantes. Há ainda um comprimido experimental da própria Lilly que mostrou redução de 11%.
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Resultados de longo prazo
Participantes que seguiram usando a retatrutida por dois anos apresentaram emagrecimento médio de pouco mais de 30%, informou a farmacêutica. Em pesquisas anteriores, o medicamento também demonstrou aliviar dores de joelho em pacientes com osteoartrite e reduzir níveis de açúcar no sangue.
Com a divulgação dos novos dados, as ações da Eli Lilly subiam 1% nas negociações da manhã em Nova York, enquanto os papéis da rival Novo Nordisk recuavam 0,7%.
Com informações de Folha de S.Paulo





