A Colossal Biosciences, empresa norte-americana focada em “desextinção”, anunciou nesta semana o nascimento de 26 pintinhos saudáveis em um módulo de ovo artificial instalado no laboratório da companhia em Dallas, Texas (EUA). O resultado é considerado um passo essencial para o projeto que pretende devolver à vida o moa-gigante-da-ilha-sul (Dinornis robustus), ave neozelandesa extinta há cerca de 500 anos.
Segundo o diretor-executivo e cofundador Ben Lamm, o sistema desenvolvido pela empresa utiliza uma membrana bioengenheirada de silicone colocada dentro de uma estrutura rígida. A membrana reproduz a troca gasosa normalmente garantida pela casca, permitindo que o embrião respire e regulando umidade e temperatura.
“Usando nosso sistema, chocamos 26 pintinhos e agora estamos monitorando ativamente essas aves enquanto crescem”, afirmou Lamm à agência Reuters. O período de desenvolvimento, da transferência do embrião até a eclosão, foi de aproximadamente 21 dias, dentro do padrão da espécie.
Sem mãe de aluguel para um ovo do tamanho de bola de futebol
O moa podia atingir 3,6 m de altura, e seus ovos eram cerca de oito vezes maiores que os de um emu, seu parente vivo mais próximo. Como não existe atualmente uma ave capaz de botar um ovo desse porte, a Colossal aposta no ovo artificial para viabilizar a gestação do embrião modificado.
O processo começa com um embrião aviário fertilizado, transferido para o dispositivo que reproduz as funções da casca, fornece cálcio extra para a formação do esqueleto e permite observação contínua do desenvolvimento.
Sequenciamento do genoma
Além da etapa de incubação, a empresa trabalha no sequenciamento de alto padrão do genoma do moa. Amostras de DNA antigo do moa-gigante-da-ilha-sul já foram identificadas, e o objetivo é inserir características genéticas-chave em uma espécie atual, como o emu.
Imagem: Internet
O moa é uma das seis espécies que a Colossal planeja ressuscitar com a ajuda de material genético recuperado; a lista inclui também o dodô. Em 2023, a empresa divulgou ter editado células de lobo-cinzento para recriar o lobo-terrível (Aenocyon dirus), predador da Era do Gelo.
Para Lamm, a plataforma de ovo artificial pode servir ainda à conservação de aves ameaçadas que produzam ovos frágeis ou difíceis de incubar em cativeiro.
Com informações de Folha de S.Paulo





