Pesquisador sueco sugere biomarcadores no SUS para acelerar diagnóstico de Alzheimer

O neurocientista sueco Kaj Blennow, referência mundial em biomarcadores para doenças neurodegenerativas, defendeu a inclusão de exames sanguíneos de alta precisão no Sistema Único de Saúde (SUS) para agilizar e tornar mais preciso o diagnóstico de Alzheimer no país.

Em entrevista concedida durante a segunda edição do Clinical Research Summit Latin America, realizada em Porto Alegre nos dias 12 e 13 de maio, Blennow afirmou que a combinação de avaliação clínica com o teste de Fosfo-Tau 217 é capaz de identificar ou descartar a doença com 95% de certeza.

Exame menos invasivo e mais barato

O Fosfo-Tau 217, já disponível em alguns serviços privados no Brasil, consiste em uma simples coleta de sangue e consegue detectar alterações cerebrais antes do aparecimento dos sintomas. Segundo o pesquisador, o custo de um exame de sangue tem potencial para ser cinco vezes menor do que o de um PET amiloide, estimado em cerca de R$ 10 mil.

Projeto de lei em debate

Tramita na Câmara dos Deputados o PL 3.210/2024, que propõe a incorporação do exame PrecivityAD — outro teste que detecta biomarcadores associados ao Alzheimer — na rede pública. Hoje, o diagnóstico no SUS baseia-se em avaliações clínicas e neuropsicológicas; exames de imagem e de sangue disponíveis não confirmam a doença de forma direta. Punção lombar e PET podem ser realizados, mas não fazem parte do protocolo clínico oficial.

Necessidade de educação sobre a doença

Blennow destacou a importância de informar tanto a população quanto profissionais de saúde sobre a diferença entre envelhecimento, demência e Alzheimer. Para ele, a democratização do conhecimento científico é tão essencial quanto o avanço dos exames.

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Imagem: Internet

Trajetória do especialista

Pioneiro na pesquisa de biomarcadores biológicos desde 1988, o professor da Universidade de Gotemburgo acumula mais de 1.000 publicações científicas e cerca de 250 mil citações. Esta foi a primeira palestra dele no Brasil.

Com informações de Folha de S.Paulo

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