Intervenções como obturações, coroas e tratamentos de canal continuam presentes nos consultórios odontológicos, mas nem sempre são a única opção. Segundo dentistas ouvidos por especialistas em saúde bucal, cáries ainda restritas ao esmalte do dente podem ser revertidas com medidas preventivas, sem necessidade de broca.
Diagnóstico pode variar
Lesões cariosas — danos causados por ácidos produzidos por bactérias — são avaliadas de forma diferente conforme a formação e a filosofia de cada profissional. “Um dentista formado em 2026 pode propor um plano de tratamento totalmente distinto daquele que concluiu o curso em 1999”, afirma Shelbey Arevalo, diretora‐executiva do National Dental Advocacy Program.
Quando a deterioração ainda não alcançou a dentina, camada interna mais macia, parte dos dentistas prefere adotar acompanhamento, higiene rigorosa e uso de flúor prescrito antes de intervir. Caso a cárie avance para a dentina, a maioria indica obturação, mas há divergência sobre o momento de recorrer a coroas: alguns recomendam quando metade do dente está comprometida; outros, apenas com perda maior.
Tendência minimamente invasiva
Nos últimos anos, a odontologia passou a priorizar técnicas conservadoras, destaca Margherita Fontana, professora da Universidade de Michigan. Pastas e enxaguantes com alta concentração de flúor, vernizes, selantes (antes restritos a crianças) e remoção seletiva de cárie são exemplos de alternativas que podem evitar procedimentos mais agressivos.
Fator econômico
Procedimentos como coroas e obturações geram mais receita do que limpezas, apontam especialistas, o que pode influenciar, ainda que de forma inconsciente, a recomendação de tratamentos invasivos.
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Como o paciente pode agir
Perguntar sobre a filosofia do profissional, buscar clareza na comunicação e solicitar segunda opinião em caso de dúvida são orientações de entidades de defesa do consumidor. Se não houver dor aguda, a recomendação é realizar novo exame em outro consultório sem revelar previamente o primeiro diagnóstico.
Manter consultas regulares, boa higiene e histórico favorável também influencia a decisão clínica. “Dentistas consideram o comportamento do paciente; quem apresenta dentes íntegros e rotina de cuidados pode ter maior chance de evitar a broca”, explica Diana K. Nguyen, da Universidade da Califórnia.
Com informações de Folha de S.Paulo





