Casos de síndrome respiratória grave crescem entre bebês de até 2 anos, indica Fiocruz

Os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças de até 2 anos aumentaram nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, segundo o Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (16) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O levantamento, referente à Semana Epidemiológica 14 (5 a 11 de abril), aponta o vírus sincicial respiratório (VSR) como principal responsável pela alta das internações nessa faixa etária, enquanto os casos graves de covid-19 seguem em queda no país.

Cobertura vacinal

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressaltou que o VSR é uma das maiores causas de bronquiolite e hospitalização de crianças pequenas. Ela recomendou que gestantes a partir da 28ª semana recebam a vacina contra o vírus para proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

Com o avanço das internações por influenza A em vários estados, Portella também reforçou a importância de que os grupos prioritários procurem os postos de saúde para tomar a dose anual da vacina contra a gripe.

Situação nos estados

Quatorze unidades federativas apresentaram níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG nas últimas duas semanas, com tendência de crescimento nas seis semanas anteriores até a SE 14. São elas: Acre, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O aumento ligado ao VSR abrange todo o Centro-Oeste e Sudeste, além de Acre, Pará, Tocantins e Roraima, no Norte, e os estados de Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, no Nordeste.

Já as ocorrências de influenza A continuam subindo em boa parte do centro-sul — Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — e em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe) e do Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Em contrapartida, caem no Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.

Nos casos associados ao rinovírus, o boletim indica interrupção ou queda na maior parte do país, exceto em Pará e Mato Grosso, onde ainda há crescimento.

Capitais em alerta

Quatorze capitais registraram níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG com tendência de alta nas últimas seis semanas: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

Incidência, mortalidade e números de 2026

Nas últimas oito semanas, a SRAG seguiu afetando mais severamente os extremos de idade. A incidência é maior em crianças pequenas, sobretudo por VSR e rinovírus, enquanto a mortalidade se concentra em idosos, impulsionada por influenza A e covid-19.

Em 2026, foram notificados 37.244 casos de SRAG: 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para algum vírus, 14.723 (39,5%) foram negativos e 3.990 (10,7%) aguardam análise laboratorial.

Entre os positivos no ano, 41,1% correspondem a rinovírus; 25,5% à influenza A; 17,4% ao VSR; 10,2% ao Sars-CoV-2 e 1,7% à influenza B. Nas quatro semanas mais recentes, a distribuição foi de 33% para rinovírus, 32,2% para influenza A, 26,3% para VSR, 5,5% para Sars-CoV-2 e 2,4% para influenza B.

Considerando apenas os óbitos confirmados no mesmo período, 40,8% estavam associados à influenza A, 26,9% ao rinovírus, 23,3% ao Sars-CoV-2, 5,3% ao VSR e 4,1% à influenza B.

Com informações de Agência Brasil

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