Em vários países da África, o clareamento da pele é prática frequente: mais de metade das mulheres recorre regularmente a cremes, comprimidos ou loções que prometem tons mais claros. Na Nigéria, o índice atinge 77%; na África do Sul, 32%.
Além dos riscos médicos — que incluem descoloração grave da pele, danos a órgãos, problemas neurológicos e complicações cirúrgicas —, pesquisadores ainda buscam entender por que os produtos seguem tão populares.
Método de pesquisa
Para investigar a motivação das usuárias, uma equipe de psicólogos aplicou o Teste de Associação Implícita da Pele a 221 mulheres negras, em sua maioria sul-africanas, com 18 anos ou mais. O exame mede a rapidez com que imagens de tons claros ou escuros são associadas a palavras positivas ou negativas, revelando preferências inconscientes.
O resultado foi expressivo: 78,5% das participantes demonstraram preferência automática por pele mais clara. Já em duas autoavaliações diretas, apenas 18,5% e 29,8% relataram insatisfação com o próprio tom de pele.
Discrepância nos dados
A diferença entre respostas conscientes e inconscientes sugere que muitas mulheres podem não querer — ou não conseguir — admitir desconforto com a cor da própria pele. O percentual implícito encontrado (78,5%) aproxima-se do maior índice de uso de clareadores registrado no continente (77% na Nigéria).
Raízes complexas
Segundo os autores, a escolha por clarear a pele não se explica apenas por fatores psicológicos individuais. Elementos históricos, legados coloniais, padrões estéticos eurocêntricos, vantagens econômicas e influência midiática compõem um cenário multifacetado que incentiva a prática.
Imagem: Internet
Próximos passos
Os pesquisadores defendem métodos mistos — combinando testes implícitos, questionários, entrevistas e grupos focais — para captar nuances que uma única abordagem não alcança. Eles também recomendam o desenvolvimento de ferramentas específicas para mulheres negras africanas, levando em conta diferenças regionais.
Autoridades de saúde pública veem o tema como prioritário, já que o uso de clareadores permanece alto e pouco compreendido, mesmo diante dos riscos à saúde.
Com informações de Folha de S.Paulo





