Brasília – O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (15) a liberação de R$ 12 milhões para reforçar a vigilância e o controle da doença de Chagas em 155 municípios de 17 estados.
De acordo com a pasta, o repasse apoia atividades como captura e monitoramento de vetores, além de vigilância e resposta imediata a focos da doença. O investimento prioriza cidades classificadas com risco muito alto em índice composto que leva em conta a presença de insetos transmissores e fatores socioambientais, bem como locais com registros recentes do barbeiro.
Reconhecimento e critérios de seleção
Entre as localidades, Anápolis (GO) e Goiânia receberam o selo bronze de boas práticas pela eliminação da transmissão vertical. O ministério informou que os municípios foram escolhidos com base em vulnerabilidade social, interação dos vetores com o ambiente e frequência de casos crônicos — concentrados, sobretudo, nas regiões Nordeste e Sudeste.
“Estamos alocando recursos de forma técnica para ampliar o diagnóstico, garantir tratamento oportuno e avançar rumo à eliminação da doença como problema de saúde pública”, afirmou Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente.
Pesquisa sobre selênio
A pasta confirmou ainda o início da fase 2 do projeto que avalia o uso do selênio no tratamento da cardiopatia chagásica crônica. Desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pesquisa receberá R$ 8,6 milhões para testar a eficácia e a segurança do mineral como terapia complementar, visando à futura incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS).
Cenário epidemiológico
Dados oficiais mostram 3.750 mortes por doença de Chagas em 2024, maioria no Sudeste. No mesmo ano, foram contabilizados 520 casos agudos, sobretudo no Pará. Em 2025, números preliminares apontam 627 ocorrências agudas (97% na Região Norte) e 8.106 registros crônicos concentrados em Minas Gerais, Bahia e Goiás.
Imagem: Internet
Sobre a doença
A enfermidade é causada pelo Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente pelo inseto barbeiro. A infecção pode ser aguda, com ou sem sintomas, ou evoluir para fase crônica, quando surgem complicações cardíacas e digestivas.
Entre as formas de transmissão estão contato com fezes do barbeiro infectado, ingestão de alimentos contaminados, passagem da mãe para o bebê (vertical), transfusões, transplantes e acidentes laboratoriais.
Medidas de prevenção incluem barreiras físicas contra o barbeiro em residências, uso de repelentes e roupas de manga longa em áreas de risco, higienização adequada de alimentos e capacitação de manipuladores.
Com informações de Agência Brasil





