Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (13) mostra que, embora 99,4% das grávidas no Brasil realizem ao menos uma consulta de pré-natal, apenas 78,1% concluem o ciclo mínimo de sete atendimentos recomendado pelo Ministério da Saúde. A queda na cobertura é mais acentuada entre mulheres indígenas, adolescentes, moradoras da Região Norte e aquelas com menor nível de escolaridade.
Escola e cor da pele pesam no acesso
Entre gestantes com 12 anos ou mais de estudo, 86,5% completam as sete consultas. Já entre as que permaneceram menos tempo na escola, o índice cai para 44,2%. A desigualdade se amplia quando se considera a origem étnico-racial: somente 19% das indígenas com baixa escolaridade atingem o total de consultas, enquanto 88,7% das mulheres brancas com maior escolaridade o fazem.
Ao final da gestação, 51,5% das indígenas concluem o pré-natal, percentual inferior aos 84,3% das brancas, 75,7% das pretas e 75,3% das pardas. O abandono do acompanhamento é três vezes mais frequente entre indígenas (46,2 pontos percentuais) do que entre brancas (15,3 pontos percentuais).
Desigualdade regional
A Região Norte apresenta a menor taxa de conclusão (63,3%), seguida por Nordeste (76,1%) e Centro-Oeste (77%). Sudeste (81,5%) e Sul (85%) registram os melhores desempenhos.
Adolescentes são grupo de risco
Entre grávidas com menos de 20 anos, apenas 67,7% alcançam o pré-natal integral, patamar inferior aos 82,6% observados em mulheres com 35 anos ou mais.
Base de dados e metas oficiais
O estudo analisou mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados em 2023 no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). A pesquisa foi conduzida por especialistas do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) em parceria com a organização sem fins lucrativos Umane.
A coordenadora do trabalho, a nutricionista e doutora em saúde pública Luiza Eunice, lembra que o parâmetro de sete consultas tornou-se oficial em 2024, quando o governo lançou a Rede Alyne com a meta de reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027 — e pela metade entre gestantes negras.
Imagem: Internet
Recomendações dos pesquisadores
Os autores defendem políticas direcionadas a povos originários, adolescentes e mulheres com baixa escolaridade, além de ações para combater o racismo estrutural e facilitar o transporte até as unidades de saúde. Para a gerente de Investimento e Impacto Social da Umane, Evelyn Santos, o sistema deve ser proativo para garantir o mesmo nível de cuidado a todas as gestantes, independentemente de residência, cor ou escolaridade.
Por que o pré-natal é essencial
O acompanhamento precoce permite identificar doenças, orientar sobre cuidados na gestação e reduzir riscos no parto. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda iniciar o atendimento até a 12ª semana, realizar consultas mensais até a 28ª, quinzenais até a 36ª e semanais no último mês. Entre os exames solicitados estão hemograma, tipagem sanguínea, glicemia, testes para sífilis e HIV, sorologia para hepatite B e ecografia obstétrica, entre outros.
Além do monitoramento médico, o pré-natal inclui orientações sobre amamentação. O aleitamento materno exclusivo deve ser mantido até os 6 meses, com continuidade até, pelo menos, os 2 anos, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Com informações de Agência Brasil





