Falta de dados sobre raça e escolaridade dificulta combate ao câncer de pele, aponta estudo

Levantamento da Fundação do Câncer indica que bases oficiais de informação no Brasil apresentam lacunas relevantes sobre pacientes com câncer de pele, prejudicando o diagnóstico precoce e a definição de políticas públicas.

Principais falhas

Ao analisar registros do Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade, a equipe identificou ausência de dados sobre raça/cor da pele em mais de 36% dos casos e sobre escolaridade em cerca de 26%.

Diferenças regionais

No Sudeste (ES, MG, RJ e SP), a falta de informação sobre raça/cor atinge 66,4% dos registros de câncer de pele não melanoma e 68,7% dos casos de melanoma. Já o Centro-Oeste (DF, GO, MS e MT) lidera no item escolaridade, com lacunas em 74% dos diagnósticos de não melanoma e 67% dos de melanoma.

Números da doença

Entre 2014 e 2023, foram contabilizados 452.162 casos de câncer de pele no país, segundo dados oficiais utilizados pela Fundação do Câncer. A patologia é mais frequente a partir dos 50 anos. O tipo não melanoma acomete majoritariamente homens, enquanto o melanoma atinge ambos os sexos de forma semelhante.

Projeções do Inca

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, entre 2026 e 2028, ocorrerão anualmente cerca de 263.282 novos casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 de melanoma. A maior parte deve se concentrar na Região Sul (PR, RS e SC), que já apresentou, em 2024, as maiores taxas de mortalidade por melanoma, sobretudo entre homens.

Fatores de risco

A exposição à radiação ultravioleta continua sendo o principal fator de risco. Essa exposição inclui não só atividades de lazer, como ir à praia, mas também trabalho ao ar livre, onde estão profissionais como garis, policiais, trabalhadores da construção civil e da agricultura. O uso de protetor solar, roupas adequadas, chapéus e óculos com proteção UV é recomendado, assim como evitar câmaras de bronzeamento.

Exposição solar intensa e intermitente, especialmente na infância e adolescência, eleva o risco de melanoma; já a exposição crônica está mais associada aos cânceres de pele não melanoma.

O Ministério da Saúde informou que ainda avalia os resultados apresentados pela Fundação do Câncer.

Com informações de Agência Brasil

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